A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) estará presente neste fim de semana no primeiro Salão Europeu de Pós-Graduação (Euro-Pós) na cidade de São Paulo. Esta será a primeira edição brasileira do evento destinado a estudantes, docentes e administradores de instituições de ensino superior, que tem como objetivo aprofundar o diálogo acadêmico entre o Brasil e a Europa.
A Capes conta com um estande no evento para divulgar suas iniciativas de internacionalização do ensino superior brasileiro, com foco específico no programa Ciência sem Fronteiras. O salão acontece no Palácio das Convenções do Anhembi, e está aberto ao público 19 e 20 de novembro de 2011. A entrada é gratuita.
Participarão do evento, agências públicas de promoção ao ensino em países estrangeiros, associações de ensino, instituições de ensino superior e instituições de língua e cultura de diversos países europeus, como a Alemanha, Bélgica, França, Holanda, Irlanda, Polônia, Suécia, entre outros, além da presença de representantes da União Européia. O salão é uma oportunidade dos organismos europeus apresentarem aos visitantes informações sobre a possibilidade de realizar estudos na Europa.
Simpósio – Dentro da programação do Salão Europeu de Pós-Graduação, acontece na tarde desta sexta-feira, 18, na Biblioteca Mário de Andrade, o simpósio "Encontro Brasil-Europa". Na ocasião, o diretor de Relações Internacionais da Capes, Márcio de Castro, irá proferir a palestra "Mobilidade e a internacionalização da ciência brasileira".
O evento pretende reunir reitores, diretores, assessores internacionais e professores das universidades brasileiras e européias, assim como fóruns e redes de universidades, órgãos de fomento, instâncias governamentais e estudantes de pós-graduação. O objetivo é traçar um panorama das relações entre o Brasil e a Europa no que diz respeito ao ensino superior e à pesquisa.
O simpósio será transmitido ao vivo pela TV UNESP.
Fonte: CAPES
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sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Já pensou em estudar na Europa?Adiante a realização seu sonho!
Capes participa do Salão Europeu de Pós-Graduação
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Transgênico, uma vez liberado, sempre liberado?
Transgênico, uma vez liberado, sempre liberado?
Resposta: NÃO! O plano de monitoramento de Organismos Geneticamente modificados aumenta a vigilância sobre esses produtos.
Saiba o passo a passo das etapas de monitoramento de Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) fixadas em resolução da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) por meio de um fluxograma.
Após quase um ano de discussão, a CTNBio aprovou no dia 10 de novembro de 2011 uma resolução de Monitoramento Pós-Liberação Comercial de OGMs. Nesse novo sistema representado no fluxograma citado anteriormente, modifica a norma atual e permite a definição de prazos diferenciados para o acompanhamento de produtos já liberados comercialmente pela comissão.
A secretária executiva da CTNBio informou que a nova legislação, a partir da publicação, permitirá que a comissão possa ser mais eficiente e específica para cada tipo de monitoramento dos organismos liberados. A norma atualmente vigente define apenas cinco anos de monitoramento e, com a alteração, a comissão passará a regular o tempo e a decidir sobre o abordagem de monitoramento.
No entanto, em encontro realizado, não houve a liberação comercial. Além do plano de monitoramento, o grupo aprovou o calendário de 2012. A comissão tem dez reuniões agendadas para o ano que vem, sendo que a primeira está marcada para o início de fevereiro.
A última reunião da CTNBio de 2011 acontece no dia 7 e 8 de dezembro no auditório do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
CTNBio
A CTNBio é uma instância colegiada multidisciplinar, criada através da Lei 11.105, de 24 de março de 2005, cuja finalidade é prestar apoio técnico consultivo e assessoramento ao governo federal na formulação, atualização e implementação da Política Nacional de Biossegurança, relativa a organismos geneticamente modificados, bem como no estabelecimento de normas técnicas de segurança e pareceres técnicos referentes à proteção da saúde humana, dos organismos vivos e do meio ambiente, para atividades que envolvam construção, experimentação, cultivo, manipulação, transporte, comercialização, consumo, armazenamento, liberação e descarte de OGMs e derivados.
Fonte: MCTI
Para visualizar fluxograma clique aqui.
Resposta: NÃO! O plano de monitoramento de Organismos Geneticamente modificados aumenta a vigilância sobre esses produtos.
Saiba o passo a passo das etapas de monitoramento de Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) fixadas em resolução da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) por meio de um fluxograma.
Após quase um ano de discussão, a CTNBio aprovou no dia 10 de novembro de 2011 uma resolução de Monitoramento Pós-Liberação Comercial de OGMs. Nesse novo sistema representado no fluxograma citado anteriormente, modifica a norma atual e permite a definição de prazos diferenciados para o acompanhamento de produtos já liberados comercialmente pela comissão.
A secretária executiva da CTNBio informou que a nova legislação, a partir da publicação, permitirá que a comissão possa ser mais eficiente e específica para cada tipo de monitoramento dos organismos liberados. A norma atualmente vigente define apenas cinco anos de monitoramento e, com a alteração, a comissão passará a regular o tempo e a decidir sobre o abordagem de monitoramento.
No entanto, em encontro realizado, não houve a liberação comercial. Além do plano de monitoramento, o grupo aprovou o calendário de 2012. A comissão tem dez reuniões agendadas para o ano que vem, sendo que a primeira está marcada para o início de fevereiro.
A última reunião da CTNBio de 2011 acontece no dia 7 e 8 de dezembro no auditório do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
CTNBio
A CTNBio é uma instância colegiada multidisciplinar, criada através da Lei 11.105, de 24 de março de 2005, cuja finalidade é prestar apoio técnico consultivo e assessoramento ao governo federal na formulação, atualização e implementação da Política Nacional de Biossegurança, relativa a organismos geneticamente modificados, bem como no estabelecimento de normas técnicas de segurança e pareceres técnicos referentes à proteção da saúde humana, dos organismos vivos e do meio ambiente, para atividades que envolvam construção, experimentação, cultivo, manipulação, transporte, comercialização, consumo, armazenamento, liberação e descarte de OGMs e derivados.
Fonte: MCTI
Para visualizar fluxograma clique aqui.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
XIV Simpósio de Genética - UNESP- IBILCE
Acontecerá entre os dias 23 e 25 de novembro o
"XIV Simpósio de Genética : Multiplicidade do Núcleo", esse simpósio é promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Genética (UNESP/IBILCE) e é realizado anualmente desde 1997, esse simpósio tem como objetivo a atuação e o intercâmbio de conhecimento de Genética e de suas inferfaces (Biologia Celular, Biologia Molecular, Bioquímica, Genética Animal e de Plantas, Genética Humana e Evolução) e, ainda, a interação entre pós-graduandos, os graduandos, os estagiários e iniciação científica, com profissionais das diferentes áreas da genética de outras instituições.
O "XIV Simpósio de Genética: Multiplicidade do Núcleo", abordará temas atuais relacionados ao núcleo, este compreendido como o territória e o guardião do material genético, nas áreas de Biologia Celular e Molecular, Genética Humana, Genética Animal e Evolução. Para isso, serão realizadas três Conferências, uma Mesa-Redonda, uma Roda-Viva e cinco palestras, além de seis minicursos.
Em 2011, manteremos um modelo diferenciado de discussão, baseado no programa de entrevistas "Roda-Viva" da TV Cultura, modelo esse, adotado no Simpósio do ano passado, que teve grande impacto no Evento. O tema a ser abordado na discussão deste ano será Energia Nuclear: aplicações e riscos, e contará com uma especialista em energia nuclear do IPEN/USP, que será entrevistada por pesquisadores e médicos.
Além de pesquisadores brasileiros de destaque na ciência abordando os mais diversos assuntos da Genética, este ano contaremos com a participação de um pesquisador da "Speciation". Sendo essa participação, mais um fruto das cooperações internacionais existentes entre pesquisadores do Instituto e pesquisadores de instituições internacionais.
Por fim, destacamos também a palestra "Terapia celular em doenças autoimunes e Diabetes mellitus tipo 1", que mostrará resultados relevantes no tratamento de pacientes com diabetes e doenças autoimunes com esse tipo de terapia avançado. Devido a sua abrangência e interesse geral, essa palestra será aberta ao público, dessa forma cumprindo um papel importante da universidade, responsável não apenas por produzir ciência, mas na divulgação científica à comunidade.
09/11/2011-15h45 - Prazo para inscrições com desconto prorrogado até 18/11.
Fonte e para maiores informações: Eventos IBILCE
Genomas humanos sequenciados pela primeira vez em Portugal
O genoma de 11 pessoas vai ser sequenciado pela primeira vez em Portugal hoje, dia 11/11/11, às 11h00, no Centro de Inovação em Biotecnologia (CIB) , no Biocant, em Cantanhede. É o início formal do projeto nacional de sequenciamento do genoma humano.
Através do estudo do genoma humano, que guarda toda a informação sobre a constituição biológica do indivíduo, será possível realizar uma medicina personalizada, que melhore a qualidade de vida das pessoas e que reduza os custos do Serviço Nacional de Saúde, associados à prevenção e tratamento de doenças, sustenta aquele responsável.
No âmbito deste projecto, os genomas serão armazenados num sistema desenvolvido para o efeito, com "a máxima segurança e de acordo com o articulado português, no que respeita à protecção de dados", assegura Gonçalo Quadros, presidente executivo da empresa Critical Software.
A confiança num sistema informático deste género, que "guarda uma grande quantidade de informação para o seu posterior uso médico adequado, é essencial", reconhece aquele responsável.
A base de dados a adoptar pelo Porgene "separa totalmente os dados pessoais dos dados biológicos" e garante "o perfeito anonimato do dador e a proibição do acesso por pessoas não autorizadas", sublinha, à Agência Lusa, Gonçalo Quadros.
Os benefícios deste projecto serão alargados ao maior número possível de cidadãos nacionais, estando previstas parcerias com unidades de saúde, acrescenta o presidente daquela empresa.
A consulta à base de dados só poderá ser feita por "um clínico devidamente habilitado e com o consentimento informado do indivíduo", assegurando o Instituto de Direito Biomédico da UC "o devido acompanhamento e enquadramento legal", afirmam os promotores do projeto.
Portugal fica, assim, na "vanguarda no uso da ciência genética para defender e melhorar a nossa saúde", acrescenta o fundador e diretor do CFC, que gere o maior "super-computador português". Carlos Faro, Carlos Fiolhais e Gonçalo Quadros são três dos 11 cidadãos portugueses cujos genomas serão sequenciados na sexta-feira, para assinalar o lançamento do Porgene.
Lusa
sábado, 12 de novembro de 2011
VII Curso de Verão do IQ-USP
O Departamento de Bioquímica da Universidade de São Paulo oferecerá entre os dias 9 e 20 de janeiro de 2012 um curso gratuito de Bioquímica destinado a 40 alunos de graduação provenientes de qualquer instituição de ensino superior do país.
O curso, que tem a finalidade de estimular o ingresso de estudantes na pesquisa científica, consistirá de trabalhos práticos empregando técnicas atuais de Bioquímica e Biologia Molecular. Essa prática será realizada em diferentes laboratórios de pesquisa do Departamento, situado no Instituto de Química. Nestes laboratórios os alunos participarão de 4 diferentes “estágios”, cada um com duração de 20 horas.
A comissão organizadora do curso oferecerá hospedagem durante todo o período no Centro de Práticas Esportivas da USP (CEPEUSP), e oferecerá as refeições nos Restaurantes Universitários nos dias de curso. Os demais custos com alimentação, transporte e quaisquer outras despesas, correrão por conta de cada aluno.
Será atribuída uma porcentagem de vagas segundo o número de inscrições por Estados e Universidades, e em seguida a seleção dos alunos será feita por sorteio.
Informações Gerais
Programação: Um seminário diário durante 1 h, e atividades diárias de laboratório planejadas e conduzidas por pós-graduandos, durante 6h30. Consulte a seção laboratórios para mais informações
Local: Departamento de Bioquímica – Instituto de Química da Universidade de São Paulo Av. Prof. Lineu Prestes, 748, Cidade Universitária, 05508-000 São Paulo, SP.
Contato: c-verao@iq.usp.br
Data: de 9/01/2012 a 20/01/2012, de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 12h00 e das 14h00 às 18h00.
Material Didático: O material a ser utilizado para acompanhamento do curso será distribuído gratuitamente no local.
Período de Inscrições: 17/10/2011 a 18/11/2011
Inscrições: Fazer inscrição nos links abaixo (SÓ SERÃO VALIDADAS AS INSCRIÇÕES PREENCHIDAS EM AMBOS OS LINKS):
Acesse a página do Curso de Verão:http://www2.iq.usp.br/bioquimica/Curso_Verao_2012/Index.html
Fonte: IQ-USP
IV Curso de Verão em Farmacologia da UNIFESP
É com grande prazer que os alunos da Pós-Graduação em Farmacologia da UNIFESP (Campus Vila Clementino) realizam a quarta edição do Curso de Verão.
Nosso curso teve inicio em 2009 e a partir de então se tornou uma tradição dentro do programa de pós-graduação em nosso departamento.
Nas edições anteriores tivemos a oportunidade de trocar experiências com alunos de diversas universidades públicas e privadas de todo Brasil, experiências as quais nos motivaram a realizar mais esta edição.
No menu à esquerda você encontra as informações do IV Curso de Verão em Farmacologia da UNIFESP, e pode conferir os melhores momentos dos cursos realizados em 2009, 2010 e 2011
Einstein não seria top Brasil
Na primeira parte da entrevista, o cientista Miguel Nicolelis relata os problemas burocráticos que encontrou quando fez graduação e doutorado em Medicina na USP, nos anos 1980. Diz que o Brasil melhorou de lá para cá, mas a estrutura engessada da academia brasileira ainda é muito refratária à boa prática científica. Não há mais espaço para o mestrado, acredita. E critica o atual sistema do CNPq, que prioriza a quantidade e não qualidade dos trabalhos. “Einstein só teve cinco teses até 1905. Assim não seria considerado um pesquisador top no CNPq”, diz.

Otimista, Miguel Nicolelis falou ao site de CartaCapital sobre as grandes mudanças que a academia brasileira terá que fazer para tornar o País uma referência na ciência mundial. Foto: Olga Vlahou
CartaCapital: Como era fazer ciência no Brasil na época em que o senhor estava na faculdade, nos anos 1980?
Miguel Nicolelis: Era muito difícil porque, no Brasil daquela época, tudo tinha que passar pelos chefes de departamento, que eram professores titulares (na Faculdade de Medicina da USP, onde se graduou). Não havia como fazer nada sem estar sob a tutela ou sob a proteção de algum dos catedráticos. E isso era muito difícil, porque a maioria deles era de médicos, alguns muitos bons médicos, mas sem formação cientifica. E o espírito era muito feudalista. Eu bati de frente com um dos professores, que foi o motivo de eu sair do Brasil. Tornei-me pessoa non grata do departamento. Tive a sorte de, no primeiro ano de pós-doc lá fora, ter um trabalho publicado na revista Science. E isso causou uma reação em cadeia oposta do que eu esperava…
Miguel Nicolelis: Era muito difícil porque, no Brasil daquela época, tudo tinha que passar pelos chefes de departamento, que eram professores titulares (na Faculdade de Medicina da USP, onde se graduou). Não havia como fazer nada sem estar sob a tutela ou sob a proteção de algum dos catedráticos. E isso era muito difícil, porque a maioria deles era de médicos, alguns muitos bons médicos, mas sem formação cientifica. E o espírito era muito feudalista. Eu bati de frente com um dos professores, que foi o motivo de eu sair do Brasil. Tornei-me pessoa non grata do departamento. Tive a sorte de, no primeiro ano de pós-doc lá fora, ter um trabalho publicado na revista Science. E isso causou uma reação em cadeia oposta do que eu esperava…
CC: Ciumeira?
MN: A mensagem era “nem volte, porque você não vai ter espaço nenhum aqui”. E então decidi ficar nos Estados Unidos. Se eu voltasse, ficaria no “closet” (gíria da academia para designar profissionais sem função).
MN: A mensagem era “nem volte, porque você não vai ter espaço nenhum aqui”. E então decidi ficar nos Estados Unidos. Se eu voltasse, ficaria no “closet” (gíria da academia para designar profissionais sem função).
CC: O que exatamente houve para sua saída da USP?
MN: Eu não vou entrar em detalhes porque não vale a pena, são disputas acadêmicas. Nós estávamos criando uma nova disciplina dentro da faculdade e claramente fomos considerados, eu e mais alguns, uma ameaça. Ameaça de progressão na carreira, estávamos fazendo algo muito novo, uso de computadores em medicina. Estou falando de vinte tantos anos atrás. Mas eu senti o peso que era você realmente conseguir fazer alguma coisa. Quando comecei a publicar alguma coisa de peso, na universidade que eu estava (a Hahnemann, da Filadélfia), meu orientador de pós-doutorado me disse: “Não te querem lá (no Brasil) mas nós te queremos”. Foi lá que desenvolvi o primeiro passo nessas interfaces cérebro-máquina. E seis meses depois eu recebi a oferta da Universidade de Duke (Carolina do Norte, EUA), onde eu estou até hoje.
MN: Eu não vou entrar em detalhes porque não vale a pena, são disputas acadêmicas. Nós estávamos criando uma nova disciplina dentro da faculdade e claramente fomos considerados, eu e mais alguns, uma ameaça. Ameaça de progressão na carreira, estávamos fazendo algo muito novo, uso de computadores em medicina. Estou falando de vinte tantos anos atrás. Mas eu senti o peso que era você realmente conseguir fazer alguma coisa. Quando comecei a publicar alguma coisa de peso, na universidade que eu estava (a Hahnemann, da Filadélfia), meu orientador de pós-doutorado me disse: “Não te querem lá (no Brasil) mas nós te queremos”. Foi lá que desenvolvi o primeiro passo nessas interfaces cérebro-máquina. E seis meses depois eu recebi a oferta da Universidade de Duke (Carolina do Norte, EUA), onde eu estou até hoje.
CC: E o senhor entende que essas dificuldades eram específicas da USP ou do Brasil como um todo?
MN: Aquilo era muito específico do Brasil naquela época. Era muito difícil você ascender na carreira. Melhorou muito. Mas ainda não é o que a gente espera, eu acho.
MN: Aquilo era muito específico do Brasil naquela época. Era muito difícil você ascender na carreira. Melhorou muito. Mas ainda não é o que a gente espera, eu acho.
CC: O que melhorou nesses 30 anos?
MN: Arejou um pouco. Acabou-se com essa figura do catedrático. As pessoas têm carreiras individuais, como nos EUA. Você não compete mais com o cara do seu lado, você trabalha com ele. Você compete, sim, com o campo de atuação. Tem os caras no mundo inteiro fazendo o que você faz, todos tentando levar o campo pra frente. Mas não é com o fulano do seu lado, do seu departamento. O meu departamento tem seis ou sete pessoas titulares, e ninguém fica contando cota de professor titular. É uma progressão natural, uma carreira feita para cada um.
MN: Arejou um pouco. Acabou-se com essa figura do catedrático. As pessoas têm carreiras individuais, como nos EUA. Você não compete mais com o cara do seu lado, você trabalha com ele. Você compete, sim, com o campo de atuação. Tem os caras no mundo inteiro fazendo o que você faz, todos tentando levar o campo pra frente. Mas não é com o fulano do seu lado, do seu departamento. O meu departamento tem seis ou sete pessoas titulares, e ninguém fica contando cota de professor titular. É uma progressão natural, uma carreira feita para cada um.
Ainda temos estruturas hierárquicas de poder na academia brasileira que são reais, coisas que não existem mais em outros lugares. Exemplo: pesquisadores ranqueados pelo CNPq, o que não existe em nenhum lugar do mundo. Não conheço rankings de pesquisadores fora daqui, não existem privilégios. Eu compito com meninos de 20 ou 30 anos que estão começando a carreira para todas as linhas de financiamento, para todas as benesses que o governo americano tem para a ciência, é igual. Outro exemplo: na área de biomedicina, o mestrado acabou. Nas grandes universidades americanas e européias é raríssimo. Na realidade o mestrado acaba sendo um caminho de escape para quem fez o doutorado e não deu conta da brincadeira ou não quis prosseguir, ou um comitê de tese achou que não tinha mesmo condição. Ai vira um mestrado. Mas não existe mais um investimento estratégico em mestrado.
CC: Como é feita a ponte entre a graduação e o doutorado no mundo científico lá fora?
MN: A pessoa sai da graduação e vai direto para a pós-graduação no doutorado. Na minha opinião, o mestrado no Brasil é usado erroneamente para suprir as deficiências da graduação. Eu só posso falar pela área de biomedicina e ciências naturais, não pelas Humanas, por exemplo. Lá fora a graduação é feita de tal maneira que se faz o mestrado dentro da graduação. E se você quer ser cientista, seguir uma carreira acadêmica docente, você sai direto para o doutorado. Também vejo que o mestrado passou a ser uma forma de se manter gente trabalhando a um custo muito baixo por aqui. Uma mão-de-obra barata, o que infelizmente acontece até no doutorado. Acredito que os projetos de pesquisa no Brasil têm de contemplar contratação de pesquisadores por períodos fixos por projeto. Esse é um debate enorme, mas é o que movimenta a ciência no mundo todo. Nós temos de enfatizar estrategicamente o doutorado e o pós-doutorado. Nós não damos a ênfase devida ao pós-doutorado, que é realmente o motor científico do mundo lá fora. No meu laboratório, os grandes atores, diretamente trabalhando comigo na estratégia do experimento, são os pós-doutores. Eles são treinados por três anos para serem pesquisadores independentes. Esse é o treinamento mais importante que você tem antes de virar um pesquisador que tem o seu próprio laboratório. Então ai você não valoriza o cara que responde o que está escrito no livro. Você não valoriza aquele cara que diz amém, você valoriza o cara que está pensando independentemente.
MN: A pessoa sai da graduação e vai direto para a pós-graduação no doutorado. Na minha opinião, o mestrado no Brasil é usado erroneamente para suprir as deficiências da graduação. Eu só posso falar pela área de biomedicina e ciências naturais, não pelas Humanas, por exemplo. Lá fora a graduação é feita de tal maneira que se faz o mestrado dentro da graduação. E se você quer ser cientista, seguir uma carreira acadêmica docente, você sai direto para o doutorado. Também vejo que o mestrado passou a ser uma forma de se manter gente trabalhando a um custo muito baixo por aqui. Uma mão-de-obra barata, o que infelizmente acontece até no doutorado. Acredito que os projetos de pesquisa no Brasil têm de contemplar contratação de pesquisadores por períodos fixos por projeto. Esse é um debate enorme, mas é o que movimenta a ciência no mundo todo. Nós temos de enfatizar estrategicamente o doutorado e o pós-doutorado. Nós não damos a ênfase devida ao pós-doutorado, que é realmente o motor científico do mundo lá fora. No meu laboratório, os grandes atores, diretamente trabalhando comigo na estratégia do experimento, são os pós-doutores. Eles são treinados por três anos para serem pesquisadores independentes. Esse é o treinamento mais importante que você tem antes de virar um pesquisador que tem o seu próprio laboratório. Então ai você não valoriza o cara que responde o que está escrito no livro. Você não valoriza aquele cara que diz amém, você valoriza o cara que está pensando independentemente.
CC: Mas o sujeito pensa independentemente porém segue uma linha de pesquisa, confere?
MN: Claro que tem uma estratégia global do laboratório, porque ele é parte de um laboratório, principalmente os grandes. Mas o individuo está criando a infraestrutura intelectual e de gestão científica que ele vai aplicar quando tiver a sua própria “padaria”, que é o que um país como o nosso precisa. Precisamos ter doutores e pós-doutores com iniciativa, com independência, que não ficam esperando a ordem do chefe. Que vão e fazem. Isso é o que revolucionou a ciência americana.
MN: Claro que tem uma estratégia global do laboratório, porque ele é parte de um laboratório, principalmente os grandes. Mas o individuo está criando a infraestrutura intelectual e de gestão científica que ele vai aplicar quando tiver a sua própria “padaria”, que é o que um país como o nosso precisa. Precisamos ter doutores e pós-doutores com iniciativa, com independência, que não ficam esperando a ordem do chefe. Que vão e fazem. Isso é o que revolucionou a ciência americana.
CC: E não é o que se vê no Brasil, onde o pesquisador é condicionado a seguir uma cartilha.
MN: Nós aumentamos muito a nossa produtividade científica, mas ainda não sou do grupo de pessoas – e isso é uma divergência intelectual – que avalia a qualidade da ciência de um país pelo número de trabalhos. É evidente que é importante você ter uma massa capaz de comunicar resultados internacionalmente em revistas de boa qualidade. Mas o que é mais relevante é o que está escrito ali, porque, caso contrário, você cria um círculo vicioso de pedir dinheiro para continuar produzindo um papel que tem influência muito pequena na comunidade científica ou, mais adiante, na sociedade. Então você tem de ter uma base muito ampla de gente produzindo ciência. E gente produzindo ciência de base, abstrata, tem de ter nas ciências naturais, porque ciência aplicada não existe sem essa base enorme de gente pensando. Temos bons exemplos de países que investiram pesado em ciência de base e educação acopladas, como Coréia do Sul, Finlândia, Noruega… Os EUA são o maior exemplo disso. Na ciência de base é de onde se extrai as idéias que vão ter aplicação. Todo componente de alta tecnologia que a gente usa diariamente veio de coisas que o cara que fez a pesquisa do micro-processador original ia imaginar que desse nisso. É uma reação em cadeia imprevisível. Eu não consigo dizer pra você, se você me der 100 programas de pesquisa de 100 laboratórios, quem dali vai produzir algo que vai ser aplicado na sociedade. Agora, eu posso falar pra você quem daqueles 100 são caras para apostar. Isso é fácil de fazer.
MN: Nós aumentamos muito a nossa produtividade científica, mas ainda não sou do grupo de pessoas – e isso é uma divergência intelectual – que avalia a qualidade da ciência de um país pelo número de trabalhos. É evidente que é importante você ter uma massa capaz de comunicar resultados internacionalmente em revistas de boa qualidade. Mas o que é mais relevante é o que está escrito ali, porque, caso contrário, você cria um círculo vicioso de pedir dinheiro para continuar produzindo um papel que tem influência muito pequena na comunidade científica ou, mais adiante, na sociedade. Então você tem de ter uma base muito ampla de gente produzindo ciência. E gente produzindo ciência de base, abstrata, tem de ter nas ciências naturais, porque ciência aplicada não existe sem essa base enorme de gente pensando. Temos bons exemplos de países que investiram pesado em ciência de base e educação acopladas, como Coréia do Sul, Finlândia, Noruega… Os EUA são o maior exemplo disso. Na ciência de base é de onde se extrai as idéias que vão ter aplicação. Todo componente de alta tecnologia que a gente usa diariamente veio de coisas que o cara que fez a pesquisa do micro-processador original ia imaginar que desse nisso. É uma reação em cadeia imprevisível. Eu não consigo dizer pra você, se você me der 100 programas de pesquisa de 100 laboratórios, quem dali vai produzir algo que vai ser aplicado na sociedade. Agora, eu posso falar pra você quem daqueles 100 são caras para apostar. Isso é fácil de fazer.
CC: O senhor entende que o critério do CNPq é equivocado, portanto.
MN: Isso, porque não é o número de trabalho que conta. Eu brinquei, e o pessoal caiu na minha cabeça, que o Einstein não seria pesquisador 1A (nível top) no CNPq porque a fórmula, que é uma fórmula de economista (quantas teses publicadas, quantos alunos de graduação, quantos papers publicados), o coitado não preenchia. Ele só teve cinco papers até 1905. Só que cada um desses valia um Prêmio Nobel. O que ele fez mudou o mundo. Charles Darwin, com dois ou três livrinhos, mudou o mundo, e ele levou 60 anos para escrever aquele livro. Quem ia financiar o Charles Darwin? Então ainda vejo reflexos do final dos anos 80 presentes na nossa vida acadêmica. Inovamos pouco e criamos poucas linhas de pesquisa originais e seguimos muito linhas que vêm de fora. Só que nós temos aqui áreas fundamentais para a humanidade nos próximos 100 anos, temos uma Embrapa. A produção de alimentos, recursos hídricos, biodiversidade, ar, clima, tudo isso o Brasil pode ser líder – em algumas já é – mas pode ser líder mundial dessa tal ciência tropical, como eu gosto de chamar. É onde nós inovamos.
MN: Isso, porque não é o número de trabalho que conta. Eu brinquei, e o pessoal caiu na minha cabeça, que o Einstein não seria pesquisador 1A (nível top) no CNPq porque a fórmula, que é uma fórmula de economista (quantas teses publicadas, quantos alunos de graduação, quantos papers publicados), o coitado não preenchia. Ele só teve cinco papers até 1905. Só que cada um desses valia um Prêmio Nobel. O que ele fez mudou o mundo. Charles Darwin, com dois ou três livrinhos, mudou o mundo, e ele levou 60 anos para escrever aquele livro. Quem ia financiar o Charles Darwin? Então ainda vejo reflexos do final dos anos 80 presentes na nossa vida acadêmica. Inovamos pouco e criamos poucas linhas de pesquisa originais e seguimos muito linhas que vêm de fora. Só que nós temos aqui áreas fundamentais para a humanidade nos próximos 100 anos, temos uma Embrapa. A produção de alimentos, recursos hídricos, biodiversidade, ar, clima, tudo isso o Brasil pode ser líder – em algumas já é – mas pode ser líder mundial dessa tal ciência tropical, como eu gosto de chamar. É onde nós inovamos.
Continuação:
Miguel Nicolelis: ‘O pesquisador precisa só pesquisar, e não ser professor ou administrador’
Miguel Nicolelis: ‘O pesquisador precisa só pesquisar, e não ser professor ou administrador’
Fonte: Carta Capital
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
terça-feira, 8 de novembro de 2011
3º Seminário Internacional de Sustentabilidade na Universidade
EESC da USP realiza 3º Seminário Internacional de Sustentabilidade na Universidade
A Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP realiza o 3º Seminário Internacional de Sustentabilidade na Universidade, de 17 a 19 de novembro. O evento é aberto ao público interessado e as inscrições para ouvintes são gratuitas e podem ser feitas até 14/11, no site do evento.
Durante o Seminário serão apresentadas abordagens e experiências para a inserção da dimensão socioambiental em atividades primordiais das instituições de Educação Superior – o ensino, a extensão e a gestão. As principais finalidades do evento consistem no intercâmbio de experiências, no debate e na identificação de possibilidades de cooperação que possam fortalecer o papel das universidades Ibero-americanas na transição das sociedades modernas para a responsabilidade socioambiental e a sustentabilidade.
O evento conta com a participação de professores de universidades nacionais e internacionais, entre eles Denise de Freitas, do Departamento de Metodologia de Ensino da UFSCar, e Ioshiaqui Shimbo, docente aposentado do Departamento de Engenharia Civil, também da UFSCar.
As atividades acontecem no Anfiteatro de Convenções Jorge Caron, localizado no edifício da EESC, no campus I da USP São Carlos.
Durante o Seminário serão apresentadas abordagens e experiências para a inserção da dimensão socioambiental em atividades primordiais das instituições de Educação Superior – o ensino, a extensão e a gestão. As principais finalidades do evento consistem no intercâmbio de experiências, no debate e na identificação de possibilidades de cooperação que possam fortalecer o papel das universidades Ibero-americanas na transição das sociedades modernas para a responsabilidade socioambiental e a sustentabilidade.
O evento conta com a participação de professores de universidades nacionais e internacionais, entre eles Denise de Freitas, do Departamento de Metodologia de Ensino da UFSCar, e Ioshiaqui Shimbo, docente aposentado do Departamento de Engenharia Civil, também da UFSCar.
As atividades acontecem no Anfiteatro de Convenções Jorge Caron, localizado no edifício da EESC, no campus I da USP São Carlos.
Maiores informações: site do Evento
Fonte: Inforede
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Risco de ter câncer de laringe é quatro vezes maior para quem bebe cerveja toda semana
Risco de desenvolver um tumor na região da cabeça ou do pescoço,
categoria na qual se inclui o tipo de câncer do ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, é quatro vezes maior para quem bebe ao menos um
copo de cerveja por semana durante um a 15 anos. Esse risco é seis vezes
maior para a pessoa que bebe até 10 doses de cachaça por semana ou 10
vezes mais elevado para quem, em vez de cachaça, prefere uísque.
As conclusões, que são parte de um artigo publicado em 2001 pelo periódico Cancer Causes and Control, foram divulgadas pelo Hospital A.C.Camargo, um dos maiores centros de tratamento oncológico da América Latina. De acordo com o cirurgião José Magrin, da instituição, o risco se deve à ação do próprio álcool ou de seus subprodutos sobre a camada de células que reveste órgãos como a laringe, a faringe e a amídala.
O médico Luiz Paulo Kowalski, diretor do Núcleo de Cabeça e Pescoço do A.C.Camargo, alerta também para o risco gerado pelo tabagismo. “A possibilidade de câncer de laringe sobe ao menos cinco vezes para as pessoas que fumam e fica entre oito e 11 vezes maior para quem fuma cigarro industrializado, cigarro de palha ou cachimbo", alerta o especialista.
Em pesquisa que contou com sua participação, ficou claro que esse risco diminui consideravelmente entre cinco e dez anos depois que a pessoa para de fumar (no caso do cigarro).
Caso o consumo do cigarro seja associado ao uso de bebidas alcoólicas, o risco pode ser até 140 vezes maior comparado a uma pessoa que não fuma e não bebe. Outros fatores de risco são poluição do ar, infecção por HPV, refluxo gastresofágico, algumas exposições ocupacionais, como inalação frequente de produtos químicos.
O tabagismo e o consumo de álcool, somados à poluição, faz com que a cidade de São Paulo tenha uma incidência três vezes maior de câncer de laringe do que a média mundial.
Outro fator de risco associado a esse tipo de câncer é a hereditariedade, algo que não pode ser evitado. Quem tem um parente de primeiro grau - pais, irmãos ou filhos - com um tumor maligno em qualquer parte do corpo corre risco de 1,2 a 2,4 vezes maior de desenvolver câncer de cabeça e pescoço.
Essa possibilidade varia bastante dependendo da localização do tumor e da relação de parentesco: se o familiar tiver um câncer de cabeça e pescoço, o risco é 3,7 vezes maior e pode chegar a 8,5 vezes caso a pessoa afetada seja um irmão ou uma irmã, segundo uma análise de pesquisadores destes centros publicada no International Journal of Cancer.
Os tumores de cabeça e pescoço também podem ser relacionados à exposição excessiva ao sol (que causa a doença na pele e nos lábios). Estudos recentes ainda associam o aumento de casos à infecção pelo vírus HPV.
Os especialistas do A.C. Camargo também ressaltam que quase metade das pessoas com tumores de cabeça e pescoço sofre de depressão - e uma em cada cem chega a tirar a própria vida - a segunda maior taxa de suicídio entre os portadores de câncer.
As conclusões, que são parte de um artigo publicado em 2001 pelo periódico Cancer Causes and Control, foram divulgadas pelo Hospital A.C.Camargo, um dos maiores centros de tratamento oncológico da América Latina. De acordo com o cirurgião José Magrin, da instituição, o risco se deve à ação do próprio álcool ou de seus subprodutos sobre a camada de células que reveste órgãos como a laringe, a faringe e a amídala.
O médico Luiz Paulo Kowalski, diretor do Núcleo de Cabeça e Pescoço do A.C.Camargo, alerta também para o risco gerado pelo tabagismo. “A possibilidade de câncer de laringe sobe ao menos cinco vezes para as pessoas que fumam e fica entre oito e 11 vezes maior para quem fuma cigarro industrializado, cigarro de palha ou cachimbo", alerta o especialista.
Em pesquisa que contou com sua participação, ficou claro que esse risco diminui consideravelmente entre cinco e dez anos depois que a pessoa para de fumar (no caso do cigarro).
Caso o consumo do cigarro seja associado ao uso de bebidas alcoólicas, o risco pode ser até 140 vezes maior comparado a uma pessoa que não fuma e não bebe. Outros fatores de risco são poluição do ar, infecção por HPV, refluxo gastresofágico, algumas exposições ocupacionais, como inalação frequente de produtos químicos.
O tabagismo e o consumo de álcool, somados à poluição, faz com que a cidade de São Paulo tenha uma incidência três vezes maior de câncer de laringe do que a média mundial.
Outro fator de risco associado a esse tipo de câncer é a hereditariedade, algo que não pode ser evitado. Quem tem um parente de primeiro grau - pais, irmãos ou filhos - com um tumor maligno em qualquer parte do corpo corre risco de 1,2 a 2,4 vezes maior de desenvolver câncer de cabeça e pescoço.
Essa possibilidade varia bastante dependendo da localização do tumor e da relação de parentesco: se o familiar tiver um câncer de cabeça e pescoço, o risco é 3,7 vezes maior e pode chegar a 8,5 vezes caso a pessoa afetada seja um irmão ou uma irmã, segundo uma análise de pesquisadores destes centros publicada no International Journal of Cancer.
Os tumores de cabeça e pescoço também podem ser relacionados à exposição excessiva ao sol (que causa a doença na pele e nos lábios). Estudos recentes ainda associam o aumento de casos à infecção pelo vírus HPV.
Os especialistas do A.C. Camargo também ressaltam que quase metade das pessoas com tumores de cabeça e pescoço sofre de depressão - e uma em cada cem chega a tirar a própria vida - a segunda maior taxa de suicídio entre os portadores de câncer.
UFSCar tem projeto de pesquisa marinha aprovado no CNPq
Com a aprovação do projeto Identificação e Delimitação de
Populações de Camarões Peneídeos pelo CNPq o Laboratório de
Biodiversidade Molecular e Conservação da Universidade Federal de São
Carlos (UFSCar) passa a integrar quatro redes de pesquisa que
desenvolvem estudos na área no país.
O trabalho faz parte da rede Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) do Mar, que reúne centenas de pesquisadores de 15 instituições de Ensino Superior que estudam a biodiversidade marinha, coordenados pela Universidade Federal do Rio Grande.
Este projeto da UFSCar é coordenado pelos professores Pedro Manoel Galetti Júnior e Patrícia Domingues de Freitas, do Departamento de Genética e Evolução, e a proposta é pesquisar a genética dos camarões para, por exemplo, identificar os diferentes estoques deste crustáceo pela costa nacional e, assim, poder colaborar com políticas públicas nesta área. "Resolvemos estudar os camarões, pois são animais bastante explorados economicamente e poder colaborar com informações genéticas para direcionar a legislação sobre o seu manejo e exploração pesqueira é fundamental para conservar e evitar a extinção", comenta Galetti Júnior.
Cooperação - As Redes de Pesquisa são formadas por grupos de pesquisadores de diversas instituições do Brasil e do mundo, organizados em torno de um tema comum. "Elas são extremamente importantes para a indução ao desenvolvimento de uma dada área de pesquisa, como também para o fortalecimento da capacidade instalada nas Instituições, visando possibilitar o acesso de diferentes grupos de pesquisa a uma infraestrutura competente e moderna montada regionalmente", diz o professor.
Com a proposta de preservar as espécies animais por meio da genética da conservação, o Laboratório de Biodiversidade também está inserido há seis meses nas redes de pesquisa Sistema Nacional de Pesquisa em Biodiversidade (Sisbiota-Brasil), Rede Brasileira de Biodiversidade (Barcoding) e Rede Brasileira de Biodiversidade ProTax (Programa de Capacitação em Taxonomia). O Sisbiota-Brasil é uma iniciativa conjunta entre os ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), da Educação (MEC) e do Meio Ambiente (MMA), do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), do CNPq, da Capes e de 18 fundações de amparo à pesquisa estaduais.
Há seis meses o projeto coordenado pelo Laboratório da UFSCar foi aprovado e integra o Sisbiota-Brasil. Até 2014, o projeto receberá recursos para pesquisar sobre Predadores Topo de Cadeia Alimentar, integrando estudos de biologia, ecologia e genética de peixes, aves e felinos. "Estar na coordenação de uma rede nacional tem um sentido muito grande. Significa responsabilidade de articulação de um amplo conjunto de ações, reconhecimento e confiança dos participantes e colaboradores e oportunidade de interlocução com todos os grupos de pesquisa envolvidos, que, neste caso, somam 10 instituições em todo o Brasil", explica Galetti Júnior.
Outras duas grandes redes também têm a participação do laboratório da UFSCar. A Barcoding é uma iniciativa do MCTI, do FNDCT e do CNPq que objetiva ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade e dar suporte à consolidação de uma linha de pesquisa sobre códigos de barra da biodiversidade do Brasil. DNA Barcoding, ou "código de barras da vida", é a identificação genética de seres vivos a partir do fragmento de um gene para comparação nos animais. A Rede Nacional ProTax é uma iniciativa do CNPq e os pesquisadores trabalham na classificação das espécies pelos caracteres morfológicos e moleculares.
Para Galetti, "as redes de pesquisas não são novidades, mas vêm crescendo devido às facilidades promovidas por esta maneira de organização. A pesquisa estruturada em redes permite a otimização de recursos, equipamentos e pessoas. Além disso, o trabalho é feito de forma associativa e cooperativa entre diversas instituições do Brasil e do mundo". (Com informações da UFSCar).
Fonte: CNPq e MCTI
O trabalho faz parte da rede Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) do Mar, que reúne centenas de pesquisadores de 15 instituições de Ensino Superior que estudam a biodiversidade marinha, coordenados pela Universidade Federal do Rio Grande.
Este projeto da UFSCar é coordenado pelos professores Pedro Manoel Galetti Júnior e Patrícia Domingues de Freitas, do Departamento de Genética e Evolução, e a proposta é pesquisar a genética dos camarões para, por exemplo, identificar os diferentes estoques deste crustáceo pela costa nacional e, assim, poder colaborar com políticas públicas nesta área. "Resolvemos estudar os camarões, pois são animais bastante explorados economicamente e poder colaborar com informações genéticas para direcionar a legislação sobre o seu manejo e exploração pesqueira é fundamental para conservar e evitar a extinção", comenta Galetti Júnior.
Cooperação - As Redes de Pesquisa são formadas por grupos de pesquisadores de diversas instituições do Brasil e do mundo, organizados em torno de um tema comum. "Elas são extremamente importantes para a indução ao desenvolvimento de uma dada área de pesquisa, como também para o fortalecimento da capacidade instalada nas Instituições, visando possibilitar o acesso de diferentes grupos de pesquisa a uma infraestrutura competente e moderna montada regionalmente", diz o professor.
Com a proposta de preservar as espécies animais por meio da genética da conservação, o Laboratório de Biodiversidade também está inserido há seis meses nas redes de pesquisa Sistema Nacional de Pesquisa em Biodiversidade (Sisbiota-Brasil), Rede Brasileira de Biodiversidade (Barcoding) e Rede Brasileira de Biodiversidade ProTax (Programa de Capacitação em Taxonomia). O Sisbiota-Brasil é uma iniciativa conjunta entre os ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), da Educação (MEC) e do Meio Ambiente (MMA), do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), do CNPq, da Capes e de 18 fundações de amparo à pesquisa estaduais.
Há seis meses o projeto coordenado pelo Laboratório da UFSCar foi aprovado e integra o Sisbiota-Brasil. Até 2014, o projeto receberá recursos para pesquisar sobre Predadores Topo de Cadeia Alimentar, integrando estudos de biologia, ecologia e genética de peixes, aves e felinos. "Estar na coordenação de uma rede nacional tem um sentido muito grande. Significa responsabilidade de articulação de um amplo conjunto de ações, reconhecimento e confiança dos participantes e colaboradores e oportunidade de interlocução com todos os grupos de pesquisa envolvidos, que, neste caso, somam 10 instituições em todo o Brasil", explica Galetti Júnior.
Outras duas grandes redes também têm a participação do laboratório da UFSCar. A Barcoding é uma iniciativa do MCTI, do FNDCT e do CNPq que objetiva ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade e dar suporte à consolidação de uma linha de pesquisa sobre códigos de barra da biodiversidade do Brasil. DNA Barcoding, ou "código de barras da vida", é a identificação genética de seres vivos a partir do fragmento de um gene para comparação nos animais. A Rede Nacional ProTax é uma iniciativa do CNPq e os pesquisadores trabalham na classificação das espécies pelos caracteres morfológicos e moleculares.
Para Galetti, "as redes de pesquisas não são novidades, mas vêm crescendo devido às facilidades promovidas por esta maneira de organização. A pesquisa estruturada em redes permite a otimização de recursos, equipamentos e pessoas. Além disso, o trabalho é feito de forma associativa e cooperativa entre diversas instituições do Brasil e do mundo". (Com informações da UFSCar).
Fonte: CNPq e MCTI
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Sequenciadores de DNA na Clínica Médica
Fabricantes de sequenciadores esperam expandir seus mercados, agora em uso clínico.
Erika Check Hayden
Sequenciadores de DNA estão entre os equipamentos mais custosos para aquisição pelos laboratórios de biologia. Então não é de se estranhar que com a diminuição de financiamentos à pesquisa e a espera por momentos de recessão, cada vez mais as instituições tem adiado a compra desses equipamentos, deixando os fabricantes em situação difícil. Depois de uma rodada de "Gloomy" resultados do terceiro trimestre, muitos fabricantes de sequenciadores estão esperançosos quanto à diminuição do custo dos equipamentos e expansão do uso para diagnósticos médicos o que os anima bastante suas expectativas de rendimentos.
Empresas produtoras de sequenciadores ou que oferecem serviços de sequenciamento dependem fortemente dos recursos de projetos financiados pelo governo federal, em especial as que são apoiadas pelo National Institute of Health dos Estados Unidos (NIH). Apesar de o orçamento do NIH para 2011 ser apenas 1% menor do que o de 2010, esse pessimismo sobre gastos governamentais futuros tem levado analistas a prever cortes orçamentais drásticos e ainda maiores em 2012 e 2013 e esse pessimismo também impactou o valor de mercado dessas empresas. (Representado na figura ao lado)."Devido ao grande temor de financiamentos menores por parte do governo, as instituições estão bem mais conservadoras quanto aos seus gastos e investimentos." diz Shawn Levy, geneticista do Istituto de Biotecnologia HudsonAlpha, um grande centro de pesquisa genômica em Huntsvile, Alabama. Realmente, em uma pesquisa divulgada no final de outubro de 2011, 58% dos 94 cientistas consultados pela GenomeWeb e a Tokyo Banco de investimentos Mizuho Securities, disse que falar de austeridade lhes tinha levado à adiantar compras para o laboratório. Quarenta e dois porcento disseram que, provavelmente, não compraria um novo sequenciador nos próximos 12 meses.
Esse clima de incertezas ficou bem evidente em uma rodada de resultados financeiros anunciados na semana passada. Illumina de San Diego, Califórnia, que conquistou a maior fatia do mercado de sequenciamento, disse que seus lucros no terceiro trimestre caíram temíveis 43% em comparação com o mesmo trimestre de 2010. A Life Technologies de Carlsbad, Califórnia, disse que sua receita cresceu 7% no último trimestre, em comparação ao mesmo período de 2010, ajudado pelas fortes vendas do novo Ion Torrent. Mas com um olhar para tempos difíceis, a empresa já demitiu trabalhadores e realizou cortes de custos.
Em setembro, a Pacific Biosciences de Menlo Park, Califórnia, foi forçado a demitir 28% de seu pessoal e reduzir a previsão de lucro para 2011. Outras grandes empresas de genômica, como a California-based Complete Genomics of Mountain View e aAffymetrix de Santa Clara, revelaram seus ganhos deste mês.
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Tendo em vista essas notícias apavorantes, as empresas de sequenciadores estão vislumbrando novos mercados na área de biomedicina, onde todo o sequenciamento do genoma esta começando a fazer incursões (Ver Nature 478 22-24; 2011). A Illumina, por exemplo, vai criar uma unidade de negócios para promover o uso de suas ferramentas no uso diagnóstico clínico, e espera que o lançamento iminente de uma versão de menor custo de sua máquina de sequenciamento MiSeq irá impulsionar suas vendas.
A Life Technologies, por sua vez, divulgou que iria desenvolver um teste genético para ajudar a prever a resposta de um indivíduo a uma medicamento contra o câncer que, sediada no Reino Unido, a GlaxoSmithKline está estudando em ensaios clínicos já de fase III. Também fez um acordo de 9 milhões de dólares americanos para vender sistemas de análise forense na Rússia e pretende investir especialmente em mercados emergentes da Ásia.
Dan Leonard, consultor e analista da divisão de saúde da Leerink Swann em Boston, Massachusetts, concorda que essa mudança para a clínica é em última análise, a melhor esperança de crescimento para a indústria de sequenciadores.
Fonte: Nature News
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Na Espanha, pesquisadora tem trabalho premiado na área de Genômica Comparativa
A genômica comparativa – que consiste na análise comparativa do material genético de diferentes espécies ou cepas através de métodos computacionais – é um campo do conhecimento que tem se desenvolvido de maneira muito rápida. A Europa, atualmente, lidera a maioria das pesquisas de sequenciamento genômico eucariótico e de sua análise e comparações. O primeiro eucarionte sequenciado, que foi o Saccharomyces cerevisiae, estabeleceu as bases da era pós-genômica, na qual os cientistas estão lidando com uma vasta riqueza de informações e aplicações. Muitos dos organismos são modelos para processos biológicos particulares, outros são usados na indústria, são patógenos de plantas, animais e humanos, são importantes na ecologia, ou contribuem significativamente para o entendimento da evolução eucariótica.
Neste contexto, a conferência "Comparative Genomics of Eukaryotic Microorganisms: Understanding the Complexity of Diversity", promovida pela EMBO (Organização Européia de Biologia Molecular, na sigla em inglês), tem um alto valor agregado no que diz respeito à complementação de formação profissional e divulgação científica. O evento, realizado entre 15 e 20 de outubro deste ano, na Espanha, abordou grandes questões evolucionárias, tais quais a formação de um eucarionte, o surgimento da multicelularidade, a evolução da reprodução, patogênese, entre outras. Além disso, a conferência tentou inovar discutindo algumas linhas da Árvore Genealógica Eucarionte (TOL, na sigla em inglês), que recebiam pouca atenção da academia até então.

A comunidade científica presente foi muito significativa, incluindo pesquisadores de todo o planeta com grande renome neste campo de pesquisa. Nomes vindos da própria Espanha, dos Estados Unidos, Canadá, Bélgica, França, Reino Unido, Suécia, Alemanha e outros ministraram mais de quinze sessões de palestras durante os cinco dias de evento. Entre estas sessões, jovens pesquisadores apresentavam seus trabalhos em forma de painel, e entre eles estava Fernanda Cristina Costa, aluna de doutorado, orientada pelo Professor Otávio Thiemann, do grupo de Cristalografia do IFSC. Fernanda formou-se em Biologia pela Universidade Federal de São Carlos, mas trabalha no grupo desde sua Iniciação Científica. Atualmente, está matriculada no curso de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Genética e Evolução da UFSCar, no qual Thiemann é credenciado.
A linha de pesquisa e os temas abordados no evento pareciam formar um casamento perfeito com os desenvolvimentos acadêmicos da pesquisadora, que investiga o microorganismo parasitário Trypanosoma brucei, responsável por causar a famigerada "doença do sono" em humanos e a nagana em animais, acometendo centenas de milhares de pessoas ao redor do mundo. Segundo a pesquisadora, o interessante em relação a estes microorganismos é que, apesar de serem organismos morfologicamente simples, unicelulares, eles possuem soluções pouco ortodoxas para os problemas ocasionados pelo fato de serem células eucarióticas com um ciclo de vida degenético. "Estes organismos desenvolveram metabolismos únicos, como a arquitetura de seu DNA mitocondrial e antígenos de superfície variáveis, apenas para citar alguns exemplos", explica ela.
Mais especificamente, o trabalho que desenvolve junto ao Prof. Thiemann e à pós-doutoranda Teresa Cristina Leandro de Jesus tem grande interesse nas funções e na evolução da selenocisteína – um tipo de aminoácido que não é codificado no código genético como os outros tipos –, além das selenoproteínas nestes microorganismos e na maneira como isso está relacionado à evolução dos eucariontes e suas interações com os seus hospedeiros.
A sensibilidade da pesquisadora ainda a levou além: neste evento, devido à perfeita adequação de sua linha de pesquisa ao tema proposto pelo evento, à responsabilidade social e ao bom desenvolvimento da pesquisa, o trabalho intitulado "Selenocysteine Synthesis and Selenoproteome of Trypanosoma brucei" foi agraciado com o prêmio de melhor trabalho apresentado no evento, um reconhecimento importante para quem se arrisca em uma área relativamente nova.
"Apresentar o trabalho me permitiu ampliar a visão sobre este campo de pesquisa e compartilhar meus dados com outros pesquisadores", afirma Fernanda. "Conhecer pessoas que compartilham dos mesmos interesses profissionais e coordenadores de grupos de pesquisa, com quem possa trocar idéias sobre minha pesquisa, é importante para construir uma rede de contatos científicos – essencial em carreiras acadêmicas – e trabalhar em colaborações futuras", completa ela.
Este é um exemplo que deve desinibir alunos que, por algum motivo, se privam da oportunidade de divulgar suas pesquisas no exterior. O Brasil tem sido muito bem-vindo e bem visto em eventos internacionais, destacando-se através de pesquisas com fim social e descobertas e aplicações de impacto na academia e na sociedade. Atualmente, muitas oportunidades têm sido reveladas e oferecidas a jovens pesquisadores. Se você é aluno, fique ligado nos grandes encontros científicos em sua linha de pesquisa, participe e arrisque para se inserir na dinâmica acadêmica e deixar sua marca.
Fonte: IFSC
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